A arte do encontro

De apenas um encontro nasce uma multiplicidade de outros. Precisamos estar atentos para não perdê-los ou darmos pouca importância quando os essenciais aparecerem. Também termos o coração aberto e acreditarmos na outra pessoa é fundamental para que esses encontros durem e se tornem verdadeiros atores de mudança de nossa breve trajetória nesta vida. É preciso dizer “a satisfação de termos dado o nosso melhor e a prova deste trabalho são as únicas coisas que podemos levar para o túmulo”.

Conheci primeiramente Vambeto quando dei aula a ele na EJA e, anos depois, um pouco melhor, quando corrigi o livro que ele havia escrito durante este longo tempo. Do livro Realidade nordestina, romance autobiográfico neo-regionalista, nasceu a produção Trajetórias – 30 anos depois da greve de Guariba, cuja exibição nesta semana em Américo Brasiliense – SP se deu de forma amistosa , franca e em clima de festa. Numa verdadeira sessão pipoca, turmas de alunos da EJA do Ensino Fundamental, anos inicias, também se encontraram com a gente. Alguns tivemos o prazer de rever.

Esta experiência só foi possível também, pois quem amarrou este laço foi a diretora da escola Paula Scanuela, amiga e apoiadora do projeto. Agradeço sempre a atenção e a organização de tudo.

O co-diretor Sérgio Galvão, amigo de longa data, também esteve presente na sessão e disparou alguns cliques.

Esperamos que surjam novos encontros e a existência, essa roda viva cotidiana, continue a girar e girar…

 

 

 

 

 

Na EMEF João Batista em Américo: estamos sempre muito gratos.

abaixo o link do filme

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O Nordeste é aqui

Nosso documentário Trajetórias, 30 anos depois da greve de Guariba já vem cantando a bola há muito tempo do preconceito velado que existe não apenas sobre a greve de 1984, mas, sobretudo, sobre a figura do nordestino. Meus maiores amigos, hoje, são nordestinos, já citei aqui o escritor, dentre tantas atribuições , Vambeto Gomes de Jesus e o capoeirista José Nilson Santana. Além disso muita gente sabe que são nas diferenças que nos completamos, que nos tornamos melhores e maiores e esse papo de andar só com gente que tem as mesmas idéias que você é sinônimo de insegurança e, no mínimo, falta de criatividade.

Na minha adolescência até existia uma brincadeira sobre o adjetivo de que quem nasce em Guariba, é Guaribaiano, não fosse piada de criança, soaria ofensivo e para quem tem bom humor, nos tempos atuais vale até como uma justiça a esse povo que trabalhou tanto e colaborou para a evolução não apenas de minha cidade mas de todo o estado paulista.

Nos debates na TV quando via alguns candidatos dizendo ao outro ” você precisa estudar” , na verdade o que pensava era ” vocês precisam oferecer uma educação melhor aos seus cidadãos, crianças e jovens, principalmente. Sei que vocês já estudaram bastante e estão apenas participando de um joguinho sobre o que posso ou não dizer”

Ao mesmo tempo, o que se proclamou nas redes sociais em alto e bom som, além de mostrar a estupidez e a intransigência, em seu maior requinte e asco, também provou que o projeto educacional brasileiro precisa de uma reviravolta e fugir de estereótipos e desse modelo malfadado e fracassado de anos, do contrário, continuaremos ofendendo uns aos outros com mensagens preconceituosas e até agressões, como tem ocorrido recentemente.

Apenas a educação ou projetos que recuperem a história de nosso país, principalmente dos últimos 35 anos, não num viés nacionalista e retrógrado, mas de forma a debater, primeiro, as perdas e ganhos, pode nos devolver o essencial.

Em segundo lugar recuperar a história sob um novo conceito, a da luta trabalhista no final dos anos 70 , seria uma boa pedida, ou ao menso mais justa. Hoje em dia, muitos alunos saem da escola sem saber nem ao menos o que foi a Ditadura Militar no Brasil, quanto mais questões sindicais ou constitucionais no decorrer dos anos 80 e 90.

Somado a isso, nosso projeto de recuperar a história local é essencial para entendermos quem somos, o que nos domina e como tornar essa relação mais justa oferecendo oportunidade para todos.

Nossos empreendimentos estão lançados: o debate do romance Realidade Nordestina de Vambeto, o documentário, a exposição e foto-livro: Trajetórias, 30 anos depois da greve de Guariba, são apenas o início da luta em um contexto de preconceito tão arraigado, e dissimulado na falta de educação que nos preocupa e que, ao mesmo tempo, nos oferece o combustível necessário, a motivação, limpos – espero – de qualquer simplismo e visões extremistas , que nos permita “encher nosso tanque” a fim de traçar caminhos e abrir grande espaço ao nosso lado para quem quiser vir junto.

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O mapa das eleições presidenciais, mais eu e Vambeto na faculdade São Luís no início de 2013. Já estamos tocando o livro Realidade Nordestina há muito tempo e continuaremos…a propósito, esqueçamos as fronteiras: somos vários e uma nação única que percorre toda a América Latina.

Citar é citar-se

A frase acima é do grande escritor argentino Júlio Cortazar, autor do romance O jogo da amarelinha e de vários livros de contos. O cronópio completaria 100 anos em 2014 se estivesse vivo, em seu lugar, no entanto, legiões de fãs celebram no mundo todo a obra imortal daquele escritor que celebrou tão bem os grandes autores citando ou reinventado-os incansavelmente. Pois o mestre literário tinha razão. Somos aquilo que citamos, que conhecemos e aprendemos durante toda a vida e nada melhor do que ter em nossa companhia grandes pensadores, poetas, filósofos, enfim, toda gente do bem, inclusive os velhos tios e avós sábios que repetem tantos provérbios e ditos populares, os quais se multiplicam indefinidamente pelo tempo.

Além disso, Cortazar também sabia que na natureza “nada se perde tudo se transforma” e ele, o exemplo de leitor voraz ainda sem título acadêmico, fora convidado em início de carreira a dar aulas em uma Universidade devido ao conhecimento indevassável. Saía na frente de outros mais graduados por seu vasto repertório intelectual adquirido por meio de muita leitura, estudo e prazer.

Porque colecionar frases ou tê-las na memória assim como ler livros são prazeres indissociáveis ao homem desde que esse “se pensou” na Antigüidade Grega, Aristóteles afirmava ” todo homem por natureza deseja conhecimento”.

Nosso filme é o filme das citações, decerto desde o início do trabalho, há mais de dois anos, o primeiro passo foram as pesquisas, arquivos de jornais hoje digitalizados, livros acadêmicos etc foram as primeiras referências, porém o que é legal numa obra aberta como a nossa é a possibilidade da divagação, e muito já se divagou sobre o tema. Uma das primeiras fontes artísticas foram as músicas de Zé Ramalho, as clássicas Admirável gado novo ( quem não se lembra da novela com a Patricia Pillar) e A terceira lâmina, extraordinária; referências literárias também foram de freqüência diária, desde alusões bem próximas, como as de algumas colunas de José de Sousa Martins no jornal O Estado de São Paulo até outras mais periféricas lendo Salman Rushdie e O último suspiro do mouro, Shakespeare, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Tolstói, Vambeto Gomes de Jesus e tantos outros. Logo, todo trabalho é fruto de outros, pois tudo se transforma.

O cinema é um amálgama de várias formas de arte e uma forma única também de expressão subjetiva, pode oferecer a uma platéia inteligente o momento poético, sublime.

Difícil dizer a que mais nos inspira, porém, sem dúvida, ficam guardadas em nossos corações muitas. Eis uma:

Brutus:
There is a tide in the affairs of men.
Which, taken at the flood, leads on to fortune;
Omitted, all the voyage of their life
Is bound in shallows and in miseries.
On such a full sea are we now afloat,
And we must take the current when it serves,
Or lose our ventures.

Julius Caesar Act 4, scene 3, 218–224

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Cortázar: que venham mais cem anos

Senta que lá vem a história

Falar sobre sua própria terra é um privilégio e um desafio. Enxergar a própria história pelos olhos de outros pode ser revelador. Afinal esta história compõe outras que compõem uma outra maior: a história de todos nós, de nossa comunidade, de nosso país.

Só assim para nos livrar de muitos de nossos demônios, Tolstoi que dizia ” se queres ser universal, comece por pintar a tua aldeia”

O trabalho fotográfico de Sérgio Galvão vem se unir a esse tornado de idéias: a passagem do tempo matura este processo e, aos poucos, o projeto vai tomando forma definida, uma tentativa de resumir e criar sob a tempestade.

A coleção de fotos da produção Trajetórias: 30 anos depois da greve de Guariba tem dois objetivos: a exposição e o fotolivro. São mais de 40 fotos sobre os personagens que participam do filme, bastidores, locações, natureza.Também são variados os tipos de fotos: retratos, grandes e pequenos planos, detalhes, estradas…

Enfim, o trabalho começa a tomar forma. Zé Bueno e D. Margarida são cidadãos guaribenses há mais de 50 anos. Passam por várias transformações que a cidade protagoniza em nossas vidas. Receberam-nos muito bem em casa na Avenida São João, Bairro Alto ( ou João de Barro), aliás o terreno de fundo dá quase numa das quinas daquele trevo e lembro de revelar ” um lugar muito agradável ” a D. Margarida ao tomar um guaraná Antártica bem gelado providenciado pelos anfitriões gentis.

Batemos um papo com os dois e soubemos de algumas poucas e boas histórias de Zé Bueno quando solteiro e de D. Margarida quando resolveu sair de Berilo e vir pra cá há mais de 50 anos. Falamos sobre a vida a dois, é lógico, da greve de Guariba e do trabalho nas lavouras de cana de açúcar. Foi, sem dúvida, mais um trabalho de descoberta para esse mosaico.

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como morrem os pobres

A entrevista com D. Neguinha nasceu quando eu e Vambeto fomos nos apresentar na faculdade São Luís a respeito de seu livro Realidade Nordestina, um romance autobiográfico que desenha a trajetória de milhares de nordestinos até São Paulo em busca de melhores condições de vida. Lá estava Elaine, aluna de pedagogia do 5° semestre. Ela se reconheceu na história de Vambeto e quando lançamos o assunto de nosso novo trabalho, um documentário sobre os 30 anos da greve de Guariba, comentou sobre o caso de seu pai e pediu para conhecermos sua mãe para ratificar a história ali contada por ela, e lógico,acrescentar mais ingredientes.

Fomos conhecer D. Neguinha e ela se mostrou muito prestativa e aberta para um bate-papo muito bacana. Além da agradável recepção, ela estava preparada; como nos contou, não era a primeira vez que jornalistas, filmakers e outras pessoas a procuravam para registrar, além disso, ela afirma que muitas de suas entrevistas contribuíram para melhorar algo ou, ao menos, acirrar o debate.

Optamos por uma câmera diferente e o resultado ficou íntimo. Uma agradável surpresa, aprende-se muito fazendo e conferindo o resultado, recomendo. Dirigir filmes é caminhar nas nuvens e, às vezes, no incerto ao lado de um abismo. O tom desta entrevista dentro do filme é outro, acredito. Mas para adiantar um pouco o caminho pelo qual segue nosso doc., esse exemplo fala por si só.

ENTREVISTA COM O PROFESSOR

Por esses dias tive o privilégio de receber uma ex-aluna e que agora está para se graduar em Letras pela UNESP De Araraquara, para acompanhar minhas aulas em seu estágio. Muito bom receber você, Isadora.

Lógico que como somos muito bobos, às vezes tememos este tipo de visita, mas tudo que vem para somar deveria não nos amedrontar, mas motivar, é o que penso ao responder a suas questões.

De modo geral, sinto muito a falta das grandes universidades de São Paulo mais próximas da Educação Básica, em vista da catástrofe anunciada há anos já. Lógico que a produção científica é numerosa e nos ajuda muito, mas precisamos do apoio dos professores universitários, sobretudo, em questões básicas e essenciais, que tanto já discuti aqui neste pequeno espaço.

Precisamos, é lógico, nos unir também, coisa difícil de acontecer, principalmente porque não temos um sindicato mais sólido nem professores com postura crítica frente aos problemas; a fragmentação dos professores em categorias: efetivo, O, F etc também contribui para essa falta de união.

A seguir, numa pequena entrevista, a Isadora conseguiu sintetizar o que penso acerca da educação e, é evidente, das minha motivações pessoais.

FORMAÇÃO

1- Em que ano você se formou e há quantos anos leciona?
2002, faz 11 anos.

2- Você tem nível superior? Onde cursou?

Faculdades São Luís de Jaboticabal.

3- Por que você optou pelo Curso de Letras?

Porque poderia trabalhar meio período na EB com um salário até então razoável e no período adverso me dedicar a outros interesses, como o cinema e o jornalismo.

4- Você acha que a fundamentação de conteúdo específico e conteúdo pedagógico que recebeu na faculdade/universidade tem sido suficientes para elaborar suas aulas?

Não, aliás, muito pouco, a formação universitária foca muito pouco no trabalho diário do professor, além disso, o debate sobre a EB é preterido nas universidades, muitas vezes, se faz “ vista grossa” sobre os reais problemas, principalmente políticos e administrativos, nas relações de poder hierárquicas dentro das secretarias e mais ainda, na política, acentuada com a municipalização, que escancarou a política de troca de favores, distribuição de cargos etc…bom mas já fugi da pergunta, na verdade, acredito que a educação é uma experiência, e deve estar ligada ao cotidiano, à capacidade de aprender e de lidar com as diversas situações assim que elas surgem, para isso, estar atento para enxergar e trocar experiências com colegas e outros setores da escola é fundamental. Quanto ao conteúdo específico, aprendi o suficiente na universidade para continuar meus estudos e defender minha posição como educador.

5- Quando você começou a lecionar Português, como era a escola e como você se sentiu em relação à primeira turma que recebeu?

Terrível, foi um choque, comecei a lecionar e no ano seguinte me efetivei na mesma escola que estudei todo o meu EF, no entanto, 7 anos depois de deixar a 8° série daquela escola, tudo estava diferente, não havia disciplina de estudo nem qualquer regra que valesse, exceto a autoritária punição, atitude que nunca aprovei não apenas como aluno, mas também como professor. Consegui muito pouco além de um relacionamento razoável com a maior parte dos alunos, uma vez que acredito que uma boa educação se inicia por aí e através de uma pré-escola de qualidade.

6- Qual a sua carga horária semanal? Além do magistério, você desenvolve ou tem alguma outra atividade?

Trabalho 56 horas-aula por semana, carga pesadíssima por causa do baixo salário. Ainda assim desenvolvo outros trabalhos, fui revisor do romance Realidade Nordestina de Vambeto Gomes de Jesus e continuo a promovê-lo, estou finalizando o documentário Trajetórias, sobre os 30 anos da greve de Guariba e sou autor do blog CINE CABOCLO brunogaravello.wordpress.com onde escrevo sobre meu trabalho.

7- Você gosta do que faz? Sente-se motivado para ensinar? Você acha importante ser professor ou gostaria de mudar de profissão?

Sim, não se pode viver nem trabalhar em qualquer profissão sem motivação, ainda que as condições sejam tão adversas àquilo que você pensa e defende.

METODOLOGIA DE ENSINO

8- Você planeja as aulas?

Sim. Mas deixo espaço para bastante experimentação. Não sigo roteiros simples, pois vou sentindo a reação da turma durante todo o processo. Vamos dizer que sempre tenho um plano B ou C, D, enfim, também bem calculado a partir de outras experiências.

9- Procura informar-se sobre o conhecimento prévio dos alunos ao expor o conteúdo? Você estabelece relações entre o tema abordado e as situações da vida cotidiana dos mesmos?

Sempre. Quase todo o meu trabalho é pautado a partir de quem eles são ou do que querem ser.

10- Você estimula o interesse do aluno pela disciplina? Como? E a participação nas aulas?

Muito. O ensino de Língua Portuguesa hoje é muito amplo, não se pode baseá-lo apenas em regras gramaticais ou no conhecimento sistemático de literatura. Por isso, motivo-os em primeiro lugar a conhecer a biblioteca da escola, a ler em sala de aula grandes autores, que lhes apresento de uma forma muito motivadora e atual. Por outro lado abro sempre as aulas para o debate sobre os diversos assuntos do currículo do Estado e mesmo os garantidos nos PCNs. E assim eles conseguem também ter motivação para escrever não apenas redações, mas no dia a dia da escola. Posso assegurar que as aulas que eles mais gostam são as de leitura e discussão de livros.

11- Você demonstra preocupação de que os alunos aprendam? Como você avalia esse aprendizado?

No dia a dia, a própria postura participativa é uma forma de avaliar, a maneira como eles se colocam sobre as diversas questões das aulas, ou então acompanhando de perto os textos que eles escrevem ou questões que respondem na apostila em sala de aula. Dou, no mínimo, uma prova no modelo tradicional de 5 a 10 questões para ter uma ideia de como aquele conteúdo se fixou na memória.

12- Acha que os alunos são esforçados? Se não são, por quê?

A maioria se esforça quase sempre. Aos que não são ou que são raramente esforçados, precisamos entender que o aluno é um ser humano biopsicossocial e que nem sempre está disposto a seguir a rotina estafante de uma escola despreparada em boa parte do tempo para lidar com todas essas particularidades, principalmente pelo fato do número de alunos por sala.

13- Quais instrumentos de avaliação você utiliza?

Todo dia a todo tempo faço uso de anotações, provas escritas, vistos nas tarefas, observação e memória, pesquisas etc.

14- A questão da progressão continuada tem alguma influência na sua prática pedagógica?

A progressão continuada é um tema muito polêmico, porque ela é usada, não raro, como desculpa para aprovar qualquer aluno. Na verdade, ela exige um sistema de ensino diferente, mais íntimo acerca do aluno, exige-se que o professor e os demais agentes da educação acompanhem de perto o desenvolvimento dele na idade certa, coisa que não acontece, vemos pré-escolas muito mal organizadas e despreparadas para receber este aluno e explorar todos os seus talentos, isto vale também para a totalidade da EB. Não apenas falta estrutura, mas também políticas capazes de promover o que o educando precisa.

15- O que você acha do desempenho dos seus alunos em sala de aula até o momento?

Como estou numa escola e modalidade de ensino diferentes dos meus anos anteriores, posso dizer que neste primeiro semestre estou satisfeito com o desenvolvimento da capacidade leitora e, sobretudo, com a atitude de boa parte deles em relação à importância da educação na vida de cada um.

16- Fale sobre alguma atividade que você desenvolve ou desenvolveu com seus alunos na qual obteve bons resultados.

Tem uma atividade que faço já há mais de 5 anos que é a leitura em sala de aula. Então, durante a semana, temos 1 ou até 2 aulas para a leitura de romances que eu pré-seleciono para cada bimestre. Esta atividade é simples e uma das mais bem-sucedidas que já fiz. O fato de cada um escolher seu romance, segurar e cuidar do objeto livro, conhecer todas as características dele, além disso, começar a ler a história e construí-la é algo impressionante. Tenho 100% de participação nestas aulas. Se quiser saber mais acesse no blog https://brunogaravello.wordpress.com/2014/06/05/repensando-a-literatura-no-ensino-medio-ii/ ou https://brunogaravello.wordpress.com/2014/05/06/a-volta-ao-dia-em-80-mundos/ e outros.

FORMAÇÃO CONTINUADA

17- Costuma ler trabalhos a respeito do ensino de Língua Portuguesa?

Sim, de educação de modo geral, acompanho ideias através de jornais e colunistas, como Nicholas Kristoff, Fernando Reinach, Roberto da Matta, tenho uma abordagem inicial um pouco periférica, mas tento contextualizar. Também gosto bastante dos trabalhos de Edgar Morin e Paulo Freire.

18- De modo geral, você participa de encontros de professores, palestras, seminários; enfim, procura se especializar de alguma forma? Considera isso importante?

Sim, costumo acompanhar o que há de melhor na literatura contemporânea e os debates políticos. Falta bastante, exceto nas grandes universidades, abertura maior para esses debates e, acima de tudo, uma aproximação maior da Universidade com a Educação Básica para nos oferecer também.

CARACTERÍSTICAS DA DISCIPLINA

19- Qual a sua opinião sobre o ensino de Língua Portuguesa nas escolas hoje? É importante ensiná-la? Por quê?

Lógico, mas não apenas como um conteúdo que se encerra em si mesmo, ao contrário,como algo que se abra para as possibilidades da vida, a missão do professor de português é fazer com que o aluno amplie sua capacidade leitora e escritora e estas precedem uma melhor visão de mundo, longe dos preconceitos, da intolerância e do senso comum, e mais próxima do que eles querem realmente ser.

20- Como os outros professores da escola vêem o ensino de Português e o trabalho que você desenvolve?

Tenho um bom relacionamento, porém superficial com cada um deles, com os mais jovens, consigo dialogar mais, no entanto ainda há uma resistência em trocar ideias, não apenas deles, mas talvez minha também, mas isso é geral na minha escola e arrisco a dizer que por outras pelas quais passei, isso ocorre também, ainda não aprendemos a trabalhar em grupo ou a somar nas relações da escola, muitas vezes ficamos atolados em discussões fúteis ou serviços burocráticos. O excesso de horas de trabalho, consequência de um salário ruim e as classes lotadas também atrapalham.

21- Qual sua opinião sobre a escola de um modo geral?

Acho que esta questão já está prevista nas minhas respostas anteriores. Ainda assim, destaco que todos os setores da sociedade deveriam participar mais da educação de modo geral.

o leitor na árvore

O leitor na árvore: alunos escolhem o romance a ser lido no bimestre e remetem a grandes obras da literatura universal.

Você não está sozinho

Quando um trabalho está pronto? Nem bem chegamos ao final da montagem do nosso doc Trajetórias – 30 anos da greve de Guariba, outras dezenas de perguntas surgem: como e onde exibi-lo? Qual a nossa responsabilidade sobre ele? Como debatê-lo e fazer ser notado? Fácil, o youtube está aí.

Acontece que nos abandonarmos à procura de virais e etc de nada valem para o debate.

Além disso, as páginas da história de nosso país precisam ser escritas com ideias, registros, assimilações e compêndios, 99% do que se posta na rede é mal administrado em muitos desses sentidos, por isso a preocupação.

Mais, um trabalho só está pronto quando ele chega até as pessoas. Ele precisa chegar e dizer ” Você não está sozinho”.

Compartilhamos dessas histórias. Daí vem o respeito e o reconhecimento do trabalho de grandes descobridores do Brasil, como o documentarista Eduardo Coutinho. Em um de seus títulos mais enigmáticos, provocadores (sei lá eu qualé a palavra!) – O fim e o princípio – uma viagem pelo nordeste nos leva ao encontro do Brasil, de quem somos, dos não migrantes, dos exilados, dos sábios e sofridos. Uma imagem que quase rejeitamos, mas que é a mais pura e essencial raiz do que somos.

Acordei para essa realidade não a partir da minha história apenas, mas principalmente do romance Realidade Nordestina, que Vambeto Gomes de Jesus escreveu com tanta sanha e qualidade. A história da migração nordestina está toda ali, e vem se chocar com a greve de Guariba, outro fato marcante em nossa região.

Um dos nossos projetos futuros é também fazer uma viagem ao nordeste, porém em vez de São João do Rio do Peixe, uma viagem ao acaso, nosso roteiro é Ipirá e os personagens do livro de Vambeto. Vamos tentar produzir com apoio do governo federal ou do crowdfunding .

A seguir mais um trecho de nosso doc.