Pela volta da social democracia e das políticas de centro

Só há uma forma de combater o extremismo que tomou conta do cenário político brasileiro – isso inclui todos os debates políticos, do boteco a Brasília – essa forma passa pelo retorno das políticas e dos políticos de centro. A socialdemocracia do PSDB, por exemplo, precisa encontrar um caminho entre um menos raivoso e mais propositivo Bruno Covas e um menos liberal e mais humano João Dória, isso em São Paulo, em nível nacional o partido, com a exceção do Rio Grande do Sul, terá que se reinventar, aproximar-se do povo, assim como fez bem a inspiração dos tucanos, os democratas americanos atuais.

Mas não só o PSDB, dos partidos criados recentemente na onda de tirar o nome partido e fugir das siglas, surgiram alguns novos-velhos caciques, por exemplo, (re)criou-se os democratas, antigo PFL e o Solidariedade, teve vez outros risíveis, como os Patriotas, e alguns a esclarecer melhor a que vieram, como o Novo e o Podemos. Bem estabelecido e merecedor de um olhar mais atento está a Rede. Ainda no centro, temos um possível MDB em que o partido tem de melhor, começaria por uma presidência de Requião que comandaria esta renovação. O Psol poderia se aproximar mais da centro-esquerda, assim com já fazem os trabalhistas PT e PC do B. Sobram ainda dois importantes partido de centro-esquerda, o PSB e o PDT.

Estas forças somadas com a capilaridade ideal (esta é a parte mais difícil, como espalhar estas políticas pelos interiores e regiões do país) seria exitosa, porém, como vimos, o momento é de volatilidade e fanatismo. Por um lado, não existem lideranças políticas eleitas ou não para coordenar estas ações por todos estes partidos. Além disso, a maior parte dos políticos eleitos nos municípios e estados brasileiros estão mais interessados em manter o status quo, apesar de dizerem o contrário, do que realmente romper as relações perniciosas do toma-lá-dá-cá a que estão acostumados. Por outro lado, nas políticas populares em bairros afastados e periféricos a organização social se deu pelas igrejas pentecostais, que fazem, além dos cultos, um serviço de caridade, mas pouco formativo na política, que está pregando a parte mais conservadora do cristianismo, relacionando liberdade e excesso a pecado e não retidão.

Ainda assim, tudo isso é preferível a um governo de extrema direita e ideológico, que instiga a todo tempo o radicalismo e a polarização. Enquanto não houver respeito ao adversário político, um clima de paz e tranquilidade, o Brasil não irá pra frente. Bolsonaro, a não ser que dê uma guinada comportamental acentuada – o que é improvável – não parece ser a pessoa mais indicada para a conciliação e pacificação política no Brasil. Nem parece querer ser esta figura. A alternativa é aguentar firme estas turbulências, respeitar a liturgia do cargo e se organizar durante estes três anos e meio para formar uma corrente forte e derrotar a ele ou a qualquer outro similar dentre os já mencionados, e pôr o país nos trilhos do progresso e do humanismo mais uma vez a frente de outros valores excludentes e autocráticos em voga.

Brasil é um dos países que menos investe em educação.

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