Fernanda Takai – música e literatura

Com dois passos bem decididos, a compositora, autora de livros infantis e líder da banda Pato Fu, subia para o palco do Sesc montado num tablado de madeira leve e clara para conversar sobre literatura, música e outras histórias da vida.

Embora de ascendência japonesa ela confessou tardiamente atentar-se a raiz de seus avós. Despertou-lhe a curiosidade quando leu Corações Sujos de Fernando Morais, livro que relata “a revolta da colônia japonesa”.

Falou muito sobre música entrelaçada à literatura. Em dado momento “a música nos traz emoção, nos faz lembrar de nossa história” em outro “Uso a música como forma de me concentrar. “Já escrevi esperando em aeroporto, ouvindo música no fone”.

“Quando as coisas ficam muito tempo na minha cabeça, ou viram música, ou alguma outra coisa”. Sobre a inspiração para o livro O cabelo da menina, ela conta que partiu de uma situação banal, a filha depois de uma noite de festa junina, acordou com o cabelo marcado pelas xuxinhas da personagem caipira e quis ir pra escola assim. Ela não deixou, mas a ideia circulou pela sua cabeça e daí nasceu o livro. Um sucesso da coleção Itaú. “O artista escreve a partir de suas experiências”, resume. “Gosto de fotografia, anoto o que me chama a atenção”. Suas influências na carreira de cronista (Não deixem de ler o texto Procura-se uma professora de violão) vão de Fernando Sabino a Rubem Braga, e ainda, “Drummond cronista além de poeta”. A carreira de Fernanda é perpassada pela literatura, ela cita a música A hora da estrela inspirada no livro homônimo de Clarice Lispector que virou trilha do filme Olhando para as estrelas,

No começo disse “Dê livro de presente para as crianças” e continuou “Devemos dar mais credibilidade à escola e à família”. No final, quando o evento esteve aberto a perguntas, a respeito do ódio nos dias atuais disseminado tão selvagemente pelas redes, ela respondeu o ódio é “a falta de jeito de entender e olhar “, depois comentou que se precisa aprender a olhar para os outros, com menos julgamentos, esquecendo um pouco de nós mesmos.

Fernanda Takai ainda respondeu a mais algumas perguntas e encerrou: posou para mais algumas fotos e autografou livros. Mais à noite ela iria apresentar com o Pato Fu o show Música de brinquedo 2.

Eu dei uma passada na feira em frente ao Pedro II, as atividades do Sesc estão mais uma vez muito bem boladas, um lance ecológico, bonito de se ver. Parece que a praça do leitor assim como as atrações da Feira deu uma minguada. Porém o trabalho, principalmente o Projeto Combinando palavras são as sementes que germinaram da história de 18 anos. Para o leitor que ainda não exige muito, a maior parte dos stands estão cheios de literatura infantil desenterrada e pechinchas a módicos dez reais que vão desde O pequeno príncipe – em quase todas as editoras – até o livro sobre Sérgio Moro. Os clássicos desapareceram mais um pouco. Também a parceria com as livrarias e os autores que participam das mesas devia ser mais evidente. Parece que ainda existe um longo caminho a percorrer. De um lado e de outro. O bom é que tem um monte de gente envolvida.

Fernanda e o enigma do olhar…mais pousado sobre a feira se vê uma instalação: homens de papelão com mensagem nas costas em meio a bancos de paletes reaproveitados reforçam a ideia de cidadania difundida pela Feira deste ano.

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