Trajetórias – Assista no YouTube 

Para quem quiser assistir ao filme Trajetórias – 30 anos da greve de Guariba, que teve sua primeira exibição bastante discreta e essencial na Unesp em meados do ano passado, vide postagem logo abaixo, ele está disponível agora no YouTube.

Agradeço mais uma vez a participação de todos sem a qual o trabalho não seria finalizado.

A jornada do filme inicia outra etapa. Espero que assistam.

Obrigado.

Clique no link abaixo para assistir.

O tribunal da quinta-feira

O livro de Michel Laub trata de uma marca indelével do nosso tempo: os tribunais virtuais. A todo momento uma patrulha, muitas vezes histérica, lança ao limbo digital a vida de milhares de pessoas. Se para fins mais nobres, por exemplo, uma crítica a um ato falho de uma figura do alto-escalão político e aí há tantas a serem citadas ela funciona, porém, na maior parte das vezes o tribunal fica mais sério e pega pesado intencionalmente linchando as pessoas, então o espaço é aberto aos extremistas defensores das mais variadas causas, desde feminismos histéricos a homofobia e misoginia de toda espécie.

O  discurso- defesa sob o qual o narrador age tem, em meios mais cônscios, pelo menos duas ranhuras: a primeira é a exposição involuntária pela qual passamos, a segunda, o julgamento arbitrário que se faz de histórias das quais não se sabe muita coisa. Apareceu na timeline está apto a ser julgado, virou trend top no twitter, merece um comentário estúpido com a hashtag da vez. Parece tudo muito banal e está realmente envolto nessa nuvem de banalidades, no entanto, a vida social e profissional das vítimas é afetada em mais diversos níveis.

É uma narrativa visceral, testemunha de nosso tempo, o narrador José Vitor, rapaz culto e de boa educação, é uma vítima e sua narrativa não cai no vitimismo, ao contrário, expõe as fraturas de nossa sociedade, como a intolerância, o pré-julgamento, o virtuosismo; de sua esposa expõe a antiética, a vingança mesquinha e inquisitória, o contrário do que se espera, talvez, de um relacionamento de algum tempo.

Como um expoente da nova geração da literatura brasileira, Michel Laub já percorreu um bom caminho, parece chegar a um ponto seminal entre tantos grandes autores contemporâneos: a capacidade de circunscrever suas obras entre temas centrais e comportamentos miméticos de nossa época. Para quem consegue enxergar um pouco desse volume de informação revestido da arte do romance um prêmio no final: a capacidade de ver além das aparências ou da superficialidade devastadora dos tribunais diários travados nas redes sociais.

Merece especial menção o tocante ao tema AIDS do livro. Como alguém que viveu a juventude nos anos 90, o narrador é marcado fatalmente pelo debate   “A I D Esse”, são referências e um ponto de inflexão surpreendente, como parece ser característica dos narradores de Michel, acontece também em  A maçã envenenada, um ou os dois pés no passado, não são temas leves, também a narrativa, no geral, não deve ser lida como mero acerto de contas – ao contrário – os personagens seguem suas vidas, apenas trazem consigo um passado rico e imperdoável.

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