O mistério do planeta

Como virar a página, tentar recomeçar e ser outro. Descobrir coisas novas todos os dias, mesmo quando está imerso nas mesmas coisas cotidianamente.Avaliar-se é sempre difícil, parece uma atitude autodestrutiva. Sentir o dever de que se tem que fazer algo é um fardo muito difícil de carregar, egocêntrico e que não leva a lugar algum.

 

Melhor talvez seria escrever ficção, falar por meio de outros personagens, ser outro para compreender-se, falar com a voz dos outros, ouvir a respeito das coisas a partir de outrem.

A verdade é que acredito que para escrever bem precisamos nos livrar de alguns fantasmas, o principal, o de olhar para si mesmo e não temer o que vai dizer, trocar experiências íntimas também penso serem válidas, principalmente quando se dá a devida atenção a elas e se tem uma boa memória.

Gostaria de poder escrever um romance. Talvez por ser um gênero literário que me encanta por ser a fina flor de séculos, ocupar um espaço nobre entre a arte, mergulhar o leitor numa experiência atemporal e etérea. Não há margem para dúvidas de que o romance tenha algo a dizer sobre o nada e o absurdo da nossa condição. Sei que também a poesia, a crônica, os pontos de encontros entre os gêneros que tantos alguns autores são tão bem sucedidos em fazer também o são.

Por isso é preciso estar disposto a fazê-lo. Não temer ou desprender-se do futuro, ele é inevitável, o-que-tiver-que-ser-será.

Cultivar o bom humor, sempre me pareceu que aqueles que não levam a vida totalmente a sério, tem as sementes cobertas por um solo generoso e bem adubado.