Citar é citar-se

A frase acima é do grande escritor argentino Júlio Cortazar, autor do romance O jogo da amarelinha e de vários livros de contos. O cronópio completaria 100 anos em 2014 se estivesse vivo, em seu lugar, no entanto, legiões de fãs celebram no mundo todo a obra imortal daquele escritor que celebrou tão bem os grandes autores citando ou reinventado-os incansavelmente. Pois o mestre literário tinha razão. Somos aquilo que citamos, que conhecemos e aprendemos durante toda a vida e nada melhor do que ter em nossa companhia grandes pensadores, poetas, filósofos, enfim, toda gente do bem, inclusive os velhos tios e avós sábios que repetem tantos provérbios e ditos populares, os quais se multiplicam indefinidamente pelo tempo.

Além disso, Cortazar também sabia que na natureza “nada se perde tudo se transforma” e ele, o exemplo de leitor voraz ainda sem título acadêmico, fora convidado em início de carreira a dar aulas em uma Universidade devido ao conhecimento indevassável. Saía na frente de outros mais graduados por seu vasto repertório intelectual adquirido por meio de muita leitura, estudo e prazer.

Porque colecionar frases ou tê-las na memória assim como ler livros são prazeres indissociáveis ao homem desde que esse “se pensou” na Antigüidade Grega, Aristóteles afirmava ” todo homem por natureza deseja conhecimento”.

Nosso filme é o filme das citações, decerto desde o início do trabalho, há mais de dois anos, o primeiro passo foram as pesquisas, arquivos de jornais hoje digitalizados, livros acadêmicos etc foram as primeiras referências, porém o que é legal numa obra aberta como a nossa é a possibilidade da divagação, e muito já se divagou sobre o tema. Uma das primeiras fontes artísticas foram as músicas de Zé Ramalho, as clássicas Admirável gado novo ( quem não se lembra da novela com a Patricia Pillar) e A terceira lâmina, extraordinária; referências literárias também foram de freqüência diária, desde alusões bem próximas, como as de algumas colunas de José de Sousa Martins no jornal O Estado de São Paulo até outras mais periféricas lendo Salman Rushdie e O último suspiro do mouro, Shakespeare, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Tolstói, Vambeto Gomes de Jesus e tantos outros. Logo, todo trabalho é fruto de outros, pois tudo se transforma.

O cinema é um amálgama de várias formas de arte e uma forma única também de expressão subjetiva, pode oferecer a uma platéia inteligente o momento poético, sublime.

Difícil dizer a que mais nos inspira, porém, sem dúvida, ficam guardadas em nossos corações muitas. Eis uma:

Brutus:
There is a tide in the affairs of men.
Which, taken at the flood, leads on to fortune;
Omitted, all the voyage of their life
Is bound in shallows and in miseries.
On such a full sea are we now afloat,
And we must take the current when it serves,
Or lose our ventures.

Julius Caesar Act 4, scene 3, 218–224

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Cortázar: que venham mais cem anos

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