Senta que lá vem a história

Falar sobre sua própria terra é um privilégio e um desafio. Enxergar a própria história pelos olhos de outros pode ser revelador. Afinal esta história compõe outras que compõem uma outra maior: a história de todos nós, de nossa comunidade, de nosso país.

Só assim para nos livrar de muitos de nossos demônios, Tolstoi que dizia ” se queres ser universal, comece por pintar a tua aldeia”

O trabalho fotográfico de Sérgio Galvão vem se unir a esse tornado de idéias: a passagem do tempo matura este processo e, aos poucos, o projeto vai tomando forma definida, uma tentativa de resumir e criar sob a tempestade.

A coleção de fotos da produção Trajetórias: 30 anos depois da greve de Guariba tem dois objetivos: a exposição e o fotolivro. São mais de 40 fotos sobre os personagens que participam do filme, bastidores, locações, natureza.Também são variados os tipos de fotos: retratos, grandes e pequenos planos, detalhes, estradas…

Enfim, o trabalho começa a tomar forma. Zé Bueno e D. Margarida são cidadãos guaribenses há mais de 50 anos. Passam por várias transformações que a cidade protagoniza em nossas vidas. Receberam-nos muito bem em casa na Avenida São João, Bairro Alto ( ou João de Barro), aliás o terreno de fundo dá quase numa das quinas daquele trevo e lembro de revelar ” um lugar muito agradável ” a D. Margarida ao tomar um guaraná Antártica bem gelado providenciado pelos anfitriões gentis.

Batemos um papo com os dois e soubemos de algumas poucas e boas histórias de Zé Bueno quando solteiro e de D. Margarida quando resolveu sair de Berilo e vir pra cá há mais de 50 anos. Falamos sobre a vida a dois, é lógico, da greve de Guariba e do trabalho nas lavouras de cana de açúcar. Foi, sem dúvida, mais um trabalho de descoberta para esse mosaico.

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