O som ao redor

Quando o Luiz Mathias, aluno de Sociais da Unesp de Araraquara e responsável ao lado do capoeirista José Nilson Santana de me levar a uma viagem inesquecível ao assentamento Bella Vista, me perguntou por que havia escolhido o tema da greve de Guariba para estudar, a resposta não foi outra senão o fato de o romance Realidade Nordestina tocar de forma tão interessante no assunto. Além disso, ” documentário nunca esteve em meus planos até então, mas quando vi os filmes de Coutinho disse para mim mesmo que se fosse fazer um, gostaria que fosse como os dele” Bastava, é lógico, unir as duas pontas: a do bom assunto e a da boa referência.

Lógico que isso seria muita pretensão, Coutinho é o maior documentarista brasileiro de todos os tempos, no entanto, a gente tem que sonhar senão as coisas não acontecem. Mais além, temos no perímetro em que moramos um tema muito fascinante e pouco explorado a fundo.

Se eu fosse mais inteligente, levaria um dos conselhos dele a sério de nunca falar sobre os nossos filmes futuros, muito menos criar blogs. Porém, criar uma página na internet foi, para nós que caminhamos “apenas” com o apoio valioso de uma rede de pessoas fantásticas, uma forma de colocar no mapa tudo aquilo que estamos produzindo e pensando.

Estamos na fase de decupagem, assistindo a muitas horas de gravação e montando o quebra-cabeça do filme-defeito ou filme-possível. A captação está em som direto, por isso os ruídos que muitas vezes nos incomodavam agora fazem parte da proposta estética do filme-possível. O som ao redor.
Não queremos lançar um novo dogma, afinal até os dogmáticos se recusaram a os serem há muito tempo. Por isso não há tantas invencionices, a não ser a produção a partir daquilo que temos. E se for pra escolher mesmo, eu prefiro ficar melhor acompanhado de Gláuber e sua postura irascível frente aos modelos de mercado.

Afinal, não há nada mais certo do que levar muito de suas máximas para dentro do cinema novamente ” uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” uma das que mais gosto, muito embora vemos tanta gente com o recurso técnico e sem ideia alguma.

Quanto ao resultado só consigo pensar que existe apenas a tentativa, o resto não é da nossa conta. Que nosso trabalho, que é a mais pura arte de sujar os sapatos, num mundo de reportagens via Google, seja ( e já o é ), pelo menos, para nós realizadores, uma aprendizagem sem fim, e para aqueles que conseguirem vê-lo, um pouco de reflexão e diversão, por que não?

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Gláuber: O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão

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