Fim de festa

Fim do ano letivo para nós professores e alunos. 200 dias é muito. No final ficamos tão extasiados que não vemos a hora de acabar tudo e, muitas vezes, ainda temos maratonas de formaturas e, a boa parte, confraternizações.

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O Vambeto foi mais uma vez bem recebido no projeto Realidade Nordestina na cidade de Américo Brasiliense e fez um belo discurso sobre continuar na estrada e na luta da vida. Elogiou bastante os formandos de EJA e reconheceu a educação na vida das pessoas. “Só assim esse país pode melhorar”.

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Tenho também a ligeira impressão de que as pessoas estão discutindo mais seriamente a educação na perspectiva de mudança na sociedade.

Sigamos em frente. Ano bastante difícil, mas que vale cada passo e cada mancada. Mantenhamos os nossos projetos, façamos melhor e tentemos pavimentar nossa estrada.

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Nosso doc 30×20 continua…
Enfim, fuck off !

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Vambeto em Américo, um pouco de espaço para a Literatura na vida das pessoas, e o homem atrás da câmara.

Black Eyed Dog

Eu estou brincando aqui com a black eyed dog do Nick Drake e tentando montar o nosso filme, cujo trabalho, em breve, (espero) se concentrará basicamente nesta etapa final tão desafiadora e cheia de surpresas. O Vambeto já começou a escrever os perfis para as fotos de Sérgio Galvão sobre os 20 participantes do nosso documentário e livro ( ou vice-versa ) referentes aos 30 anos da greve de Guariba, data a ser celebrada em maio de 2014.

Vambeto é um exímio escritor, contador de histórias…simplicidade, leveza, desprendimento, honestidade e clareza são algumas características de seus textos.

Em um tempo de tão pouca leitura, ler seu livro já bastaria ( e basta ) para celebrar a literatura no Brasil. Além da percepção do pouquíssimo e mal distribuído incentivo à leitura por onde andamos, também presenciamos a inépcia do modus operandi de todo sistema educacional. A cultura dos livros ( romances, contos, poesia, crônicas e etc) se encontra erradamente apartada da escola. Primeiro preocupamo-nos com indicadores externos, como Saresp, provas frias e descontextualizadas da nossa realidade, para tomar o rumo de trabalhar apenas para ” melhorar esses índices”. Só isso pode explicar o pouco hábito de leitura e o fato de termos romances tão pouco significativos e muitos deles ruins na lista dos mais vendidos, comprados por uma nova classe média vazia, consumista e alienada.

Não bastasse essa falta de perfil de público-alvo, a literatura também se resume a alguns autores contemporâneos herméticos e ininteligíveis para grande parte do público, voltando-nos realmente ao debate do que é literatura de verdade.

Uma das coisas que me surpreendem sobre o romance Realidade Nordestina de Vambeto Gomes de Jesus é a sua versatilidade quanto ao aspecto da compreensão do público. O mais variado grupo de pessoas já o leram, desde leitores graduados até outras no extremo oposto que me atestaram ” é o primeiro livro que leio até o fim”.

Mas o que acontece? Por que mais livros como esse de Vambeto que falam tanto sobre quem somos não aparecem nas grandes livrarias e na mídia, ao menos, entre tantos nobéis e best – sellers? Por que Realidade Nordestina permanece no limbo para muitas pessoas?

Uma esfinge desvendável. Primeiro precisamos parar de ” come sardinha e arrota caviar”, sermos mais humildes e acreditar nas pequenas obras. Depois precisamos ler mais, o Brasil tem a pior média de leitura entre os países emergentes e, para isso, é lógico precisamos de escolas e políticas mais comprometidas com essa verdadeira transformação.

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Ainda faltam gravações com três participantes do filme, as quais serão realizadas na próxima semana. Enquanto isso preparo uma parte do teaser a ser lançado em breve e Vambeto manda uma palha de seu livro:

Córrego Rico ficou para trás.

“Enquanto os canaviais se esparramavam por todo estado paulista e
se revigorava o potencial do latifúndio nunca perdido, na singela Córrego Rico, nascia uma
criança por volta do ano de 1942, chorona como
todas que vêm ao mundo, recebeu o nome de Dolores. Crescendo
ao lado de amigos de todas as idades, a guria, como diz o velho gaúcho,
permaneceu ali até os nove anos, quando houve nova
mudança na vida protagonizada por seus pais. Já veio então a pequena menina morar em Guariba no
ano de 1951, assim lembra nos dias de hoje sendo vovó.
Com essa idade de nove aninhos chegando a uma cidade que para
ela “era grande”, mal sabia o que vinha para seu futuro. Tempos depois, aos
dezesseis, já adolescente, preparou­ sua traia e foi
cortar cana para safra de açúcar. Era 1958.”

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na Feira de Ribeirão Preto, vários nordestinos se surpreenderam com o livro de Vambeto.