A boa Educação

Alunos e professores são os protagonistas do processo de ensino-aprendizagem. Aliás difícil encontrar profissão mais gratificante que esta. Como! aprendemos lidando todos os dias com as complexidades do gênero humano. No entanto, quase sempre são equivocadas as maneiras de enxergar o fracasso institucional que a Educação no Brasil ostenta bravamente por mais de dez anos. De um lado, grosso modo, há uma plêiade de especialistas, muitos deles, que nunca trabalharam um semestre na Educação Básica, apontando o professor como o operador e responsável desse esquema fracassado. Não só eles, convencionou-se na sociedade, de maneira geral, achar que o professor é o responsável por alunos indisciplinados e incapazes de compreender textos e realizar cálculos simples.

Do outro lado, muitos professores apontam os alunos como culpados por mostrarem desinteresse e não se empenharem em seus estudos.

Lógico que pensar que tudo isso seja uma inverdade também é pensar só com um lado do cérebro, porém refletindo de outras maneiras, percebe-se que o fracasso da educação tem raízes mais profundas.

Para melhorá-la, algumas medidas, não apenas de ordem financeira, mas, sobretudo, moral e organizacional devem ser tomadas.

A primeira, sem dúvida, é quanto ao tempo dentro das quatro paredes. De uma educação que se faz quase que 100% em sala de aula de 7/4 não se pode esperar muita coisa. Precisa-se de infra-estrutura, salas ventiladas, outros tipos de salas, como uma ampla biblioteca, ambiente arborizado, informatizado e tantos outros, para atender uma clientela ávida por movimento, por tomada de atitude, ou como George Monbiot disse em sua coluna no guardian http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/oct/07/education-children-not-feral-enough?view=desktop

“What is the best way to knacker a child’s education? Force him or her to spend too long in the classroom. An overview of research into outdoor education by King’s College London found that children who spend time learning in natural environments “perform better in reading, mathematics, science and social studies”. Exploring the natural world “makes other school subjects rich and relevant and gets apathetic students excited about learning”.

Mais adiante, salas com números reduzidos de aluno também são essenciais, parece utopia, mas turmas com 20 alunos é suficiente, tudo isso para o professor acompanhar mais de perto o desenvolvimento individual e tornar possível mais atividade em grupos.

Em uma aula de leitura, um dos meus alunos, Yago, que está no 6. ano e já deu bastante trabalho nas séries anteriores, desenvolveu o gosto pela leitura e participa muito das aulas semanais em que discutimos livros, como Contos de Outrora de La Fonteine e Saga Animal da Índigo, nesta semana ele se ofereceu para ajudar o Jeferson, aluno especial que tem dificuldade em ler. Toda essa transformação começa pelo gosto pela leitura e pelo respeito ao ritmo de aprendizagem dos alunos. Ele se adaptou bem, como a maioria, à leitura individual e em silêncio na sala aula. Já imaginou se tivéssemos mais livros e melhores bibliotecas?

Na outra extremidade, fui levar alunos do 7. ano para conhecer a Fnac e apresentar a eles as estantes e a divisão dos livros. Embora muitos ficaram fascinados pelos jogos disponíveis para teste de Xbox, PlayStation, Wii e afins, a maioria deles sequer tinha pisado alguma vez na livraria – olha que muitos deles freqüentam o shopping muitas vezes por ano – e puderam moderadamente segurar alguns livros nas mãos, ler sinopses, entender como funciona o mundo comercial da leitura e conhecer a divisão das estantes. É o primeiro passo, sem dúvida.

Um deles com um grau de dislexia, ótimo ouvinte, mas com um pouco de dificuldade para leitura individual e escrita se encantou com o Livro dos Recordes, mas acabou levando mesmo o DVD do Rio, de Carlos Saldanha, “Minha irmã e eu estamos loucos para ver esse filme… Até queria levar um livro, mas não sei se vou conseguir ler até o fim”, ” peça para sua irmã ler devagar com você ou para você” eu disse. Não foi dessa vez que ele levou, mas pude perceber um brilho diferente em seus olhos.

Que bom !

Lógico que seria muito legal levá-los a uma biblioteca, mas faltam bibliotecas e bibliotecários e projetos de visita a bibliotecas para nossos alunos. Como querer que o brasileiro leia mais se falta o essencial ?

Devemos fugir do clichê governamental que aponta seus principais atores como responsáveis pela deterioração da educação e, por conseguinte, da nossa sociedade. Precisamos de bom senso. Um bom calendário escolar, menos imperativo quanto à quantidade de hora e mais democrático e flexível com passeios, diversão e participação social. Estamos engessados dentro da escola, precisamos respirar, correr, ajudar e ouvir os outros. E não dá para justificar falando de questões orçamentárias, estamos lidando com o maior tesouro: o futuro dos nossos filhos.

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Ajuda mútua em leitura, visita a livrarias – educar é transformar, divertir-se, tornar possível.

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2 comentários sobre “A boa Educação

  1. Sem professor o Brasil para, uma pena é saber que os que aprenderam com o professor não olha para traz para reconhecer isso. Que sem o professor voltaremos o tempo da carroça.

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