Dez dicas para bombar na redação do ENEM e George Orwell

Na minha brava luta diária, orientando centenas de alunos, dentre eles vestibulandos e dentre tantos outros também ávidos por ouvir real opinião e debater assuntos relevantes da atualidade, escrevo um pequeno grupo de ideias sobre como se virar na redação do ENEM ( ou ao menos aprender um pouco a organizar o pensamento para a luta diária pelo reconhecimento e restituição de nossos direitos)

1) Nós somos o governo

Pare de escrever ” o governo deveria fazer isso” ” os políticos deveriam fazer aquilo, tomar vergonha na cara…etc” Besteira ! Nós somos o governo. Incentive a ideia da conscientização de cada cidadão, do investimento na educação das pessoas, da participação social. Se quiser, dê exemplos, como as conquistas do MPL no Brasil todo.

2) Conheça o assunto

Um dos grandes problemas dos vestibulandos é estar ilhado num oceano de informações fúteis ou superficiais. Saiba aproveitar seu tempo e escolher o que há de bom para ler. Fuja do senso-comum, invista em novas ideias, conheça dados interessantes. Leia, mantenha-se informado.

3) Evite o fatalismo

Antes de achar que ” não haverá mais mundo daqui a cem anos…se continuar como está acabaremos com a nossa raça” etc. Apresente dados mais realistas. A temperatura média do planeta deve subir entre 2 e 3 graus Celsius nos próximos cem anos, e isso vai elevar o nível dos mares e, como consequência, prejudicar cidades litorâneas…Lógico que é preocupante, no entanto ainda é cedo para o apocalipse, além disso, a falta de alternativa descaracteriza uma dissertação e de nada serve para um verdadeiro debate.

4) Parágrafos

Divida seu texto entre quatro ou cinco parágrafos equilibrados em tamanho e em número de ideias centrais. O primeiro contém a tese ( ideia-chave), âncora para todo o texto; do segundo ao quarto parágrafos, o desenvolvimento dos principais argumentos , e o último ( se tratando de ENEM) deve conter uma proposta de intervenção ao tema da prova.

5) Proposta de Intervenção

A prova do ENEM se baseia no conceito do cidadão participativo e conhecedor da realidade. Além disso, ela recomenda a argumentação baseada nas outras áreas de conhecimento. Portanto, preste atenção ao que é ensinado em todas as aulas e escreva propostas de intervenção inteligentes, possíveis e coerentes com o assunto desenvolvido em todo o texto.

6) Não seja tão esperançoso ou ingênuo

Achar que “todos devemos nos unir”, “dar as mãos para um mundo melhor” já são metáforas desgastadas e de nada servem para sua ideia. Não estamos penalizando o otimismo, mas precisamos nos livrar do lugar-comum e de clichês metafóricos desconectados com a realidade, recomendamos ” pé no chão e cabeça nas nuvens”, como dizia Mário Quintana.

7) Cite autores, teorias e filósofos com precisão

O que seria desse mundo sem as grandes ideias e os grandes pensadores? Conhecê-los é a primeira grande missão do jovem conectado ao mundo de pouca leitura e de mídia quase que alienante. Saia um pouco da frente da TV e das redes sociais. Leia os grandes autores, conheça as ideias que revolucionaram o mundo. A citação e a referência são elementos cruciais à boa argumentação. Além do mais, esse novo hábito não será de grande valia apenas na hora do vestibular.

8) 1° pessoa, “achismos”, na minha opinião

Diferentemente do artigo, a dissertação não privilegia o uso de impressões pessoais ou julgamentos demasiado subjetivos sobre a realidade, tampouco expressões como ” eu acho” ou ” na minha opinião” . Embora seja um texto em que se deva tomar posição acerca de um assunto, recomenda-se a impessoalidade no uso dos verbos. Achismos, sem dúvida, de nada valem em nenhum contexto, muito menos no vestibular. “Na minha opinião” é marca da oralidade ou de outros textos informais, como a carta do leitor, por exemplo.

9) Tempo para ler, refletir, esquematizar e escrever

Entre começar e terminar a redação precisa-se de, no mínimo, 1 hora. Se puder, arranje um pouco mais de tempo. Além disso, já tenha dois “planos” ou modelos de dissertação em mente. Afinal, com o tempo que se tem, o melhor a fazer é não arriscar e extrapolar os limites impostos pela organização da prova.

10)” Se puder cortar uma palavra. Corte-a sempre”

Importante é ler boa literatura, pois só aprendemos com os melhores, no livro de ensaios ” Como morrem os pobres”, George Orwell relaciona linguagem e a busca da verdade:

“A insinceridade é a grande inimiga da linguagem clara. Quando há um abismo entre nossos objetivos declarados e os reais, quase instintivamente apelamos para palavras longas e expressões gastas, como uma sépia que esguicha tinta. Em nossa época, não existe algo como ” ficar fora da política” . Todas as questões são políticas e a própria política é uma massa de mentiras, evasivas, loucuras, ódio e esquizofrenia. Quando a atmosfera geral é ruim, a linguagem sofre.” ( em A política e a língua inglesa).

Imagem

George Orwell (1903 – 1950)

“Infrinja qualquer uma destas regras antes de dizer alguma coisa totalmente bárbara”

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