O preço do nosso silêncio

Não gostaria de começar meu texto com esse título, pois sei que os problemas da educação no Brasil nao se resumem a este. No entanto tem me incomodado a ideia de como nos comportamos subservientemente diante de mandos e desmandos contraditórios, ineficazes e desestimulantes dos responsáveis em gerir a educação nesse país.

Em primeiro lugar não se muda a educação sem uma guinada a favor da infra-estrutura, acrescentando desde já uma secretaria de “recursos tecnológicos para a educação” ou a contratação de uma empresa para tal, que não apenas capacite o professor, como também ofereça nas salas de aulas os melhores recursos com, inclusive, internet gratuita e rápida para todos acessarem-na quando assim, para os alunos e professores, lhes for necessário durante as aulas.

Lógico que é uma utopia tudo isso pronto rápido, porém é uma questão de direção e que precisa ser tomada urgentemente.

Também nao é menos urgente OUVIR o professor, nunca pensei que viveria numa época em que nós quase não falássemos, ou melhor, não tivéssemos voz.
De tanto ficarmos acostumados a calar, vamos assistindo, de camarote, a decadência de nosso sistema de ensino e a destruição de gerações bem como, com ela, a possibilidade de mudança na nossa tão frágil e já combalida sociedade.

Uma perda inestimável.

Que preço iremos pagar (se é que já não estamos pagando por isso?)

Basta olhar ao redor…

É o preço que pagamos por calar, por não ter voz.

A educação se encontra totalmente perdida nas mãos de gente corrupta, sem escrúspulos, isto é, gente que não está nem um pouco preocupada com o futuro da nossa sociedade. Os filhos da maioria deles estão em instituições particulares, eles próprios já ocupam o próprio lugar na sociedade deles, longe da pobreza física, da violência e cada vez mais próximos da ignorância, da divisão social. Vivemos um apartheid na educação, a escola de rico e a escola do pobre, gerida pelo próprio governo da vez ( e que já é da vez há muito tempo) e que não entende o que é igualdade de oportunidade, ou que é apenas através da educação que se chega a ela.

Na verdade, eles são alimentados pela máquina do estado mancomunada num jogo de poder, entre o dinheiro e a concessão aos amigos. E, paradoxalmente, não partilham do mesmo espaço público que nós. Os nossos impostos e o nosso esforço de trabalho diário nada mais é do que o alimento dessa gente, que como recompensa trabalha cada vez menos em prol do coletivo e mais a favor de regalias particulares, formando uma grande família devoradora de sonhos da classe menos favorecida e estimuladora da barbárie e da perseguição.

Uma lástima.

Assistir a tudo isso e plantar uma semente boa às vezes é um desafio homérico, mas nada vem fácil.

Batalhar contra a corrupção e a ignorância de uma sociedade cada vez mais concentrada em julgamentos subjetivos, tendenciosos e intolerantes tem seus momentos delicados.

Mesmo assim, levantamos a cabeça, tentamos nos unir às pessoas de bem. Não podemos nos deixar derrotar por um pequeno grupo privilegiado, egoísta, infeliz e corrupto, porque não existe caminho para uma nação próspera sem passar pela educação e pelo respeito aos professores, sem pôr fim à hierarquia da pasta gestora e às teses distantes do conhecimento da sala de aula.

Vamos ouvir mais os professores.

Tornemos a educação mais próxima do aluno, usemos a afetividade para despertar a subjetividade e a fruição, afinal estamos lidando com seres humanos e não dá para tornar o ensino pessoal e afetivo com classes lotadas e com alunos cada vez menos preparados e abandonados desde a pré-escola.

Que os preceitos da boa sociedade já estão subvertidos não temos dúvida, o desafio é como driblar um estado formado por pessoas que não tratam a possibilidade de mudança como prioridade e que têm total conhecimento do fato de que manter as coisas como estão, sem dúvida, é a melhor opção para eles.

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Tecnologia, mídia, subjetividade, tolerância e combate à corrupção são temas que ficam à margem da discussão quando a educação não é privilegiada.

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2 comentários sobre “O preço do nosso silêncio

  1. Oi, Bruno! Também creio na urgência de ouvir o professor e justamente por isso tenho estado preocupada com o que nós, professores, temos dito, ou melhor, reproduzido dentro e fora das escolas. Um discurso pautado na culpabilização de estudantes – estudantes pobres – tem mostrado como muitos professores e demais profissionais da educação, condicionados à uma organização social mantida por relações de dominação, apresentam sua identidade e, consequentemente, sua capacidade de resistência destroçada… De qualquer forma, por tentar não perder de vista uma educação capaz de emancipar crianças, adolescentes e adultos, acredito que a aproximação escola + comunidade e, principalmente, ações coletivas sejam um promissor caminho para recuperarmos nossa voz e, quem sabe, darmos início a transformações verdadeiras no espaço escolar e social.

    1. Acredito que podemos convencer esses professores e mostrar as verdadeiras causas do fracasso da educação e elas passam sem duvida pela falta diálogo escola-comunidade.

      Temos que nos livrar das amarras da burocracia e do nepotismo ( puro-sangue ou não) para começarmos a tomar outra direção.

      Valeu, Paula.

      Bjs

      Me arriscando aqui em um blog para treinar um pouco a escrita e exercitar o pensamento, além de dialogar, é claro.

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