nossos amigos secretos, os escritores

Há um tempo acompanho autores da nossa literatura, como romancistas, cronistas e articulistas contemporâneos que preenchem nossas vidas com suas idéias, expressões, comentários e histórias.

No entanto, um deles que sigo mais de perto e tenho, não raro, a oportunidade de acompanhar e fazer parte do trabalho é Vambeto Gomes de Jesus. Seu romance de estréia, Realidade Nordestina, é um marco para a literatura de nossa região. Narra de forma engraçada, envolvente e inédita, a trajetória de um menino nascido e criado no sertão da Bahia e que aos 18 anos enfrenta a vida de migrante e chega ao interior de São Paulo, em 1984, para trabalhar como cortador de cana.

Nesta segunda-feira, estivemos nas Faculdades São Luís, nos acompanhava a simpaticíssima filha dele, Vanicleia. Depois de uma boa vitamina de açaí e de pedir a opinião de meus alunos do ensino fundamental, no período da tarde, a respeito da apresentação, percebi o quanto eles se sentiram eufóricos em poder opinar, pensei “ esse é o caminho”. Então segui à casa de Vambeto e às 19h aportamos na faculdade.

O auditório estava lotado, duas turmas de pedagogia assistiam à apresentação, no início pude apresentar o autor e citar um trecho de Gabriel Garcia Marques de seu livro de memórias de que gosto tanto e que é um dos alicerces de Realidade Nordestina “A vida não é o que se viveu, mas o que se lembra, e como isso é lembrado para ser contado”.

Em seguida conversamos um pouco sobre as causas da migração, a emocionante e difícil vida de encarar a estrada “sem lenço e sem documento” e a tarefa de escrever um livro num país que tem pouquíssimos leitores, que é afogado por campanhas literárias de best-sellers vazios, e, como seqüência, abre pouco espaço para novos autores. “Essa bandeira eu levanto, a dos autores regionais, que falam tanto sobre quem somos” ponderei.

Um dos momentos sagrados em encontros literários é a leitura da obra do autor, o capítulo escolhido foi o décimo terceiro “A escola foi desativada”, o qual abriu um leque muito grande para debater a educação no Brasil, o trecho conta a precariedade do ensino na Bahia em 1972 e o duelo entre o fazendeiro e a rendeira, disputa tantas vezes latente na vida daquelas pessoas.

A participação foi significativa, pudemos debater, nos divertir e incentivar a literatura, nosso primeiro mote, além disso, ficamos muito satisfeitos ao ouvir os alunos destacarem a apresentação como mais uma motivação para o trabalho futuro deles e, sem dúvida, mostrarem o quanto se faz cada vez mais urgente a postura cidadã do professor e o diálogo aberto com todas as culturas que compõem esse rico país.

Imagem

Anúncios

3 comentários sobre “nossos amigos secretos, os escritores

  1. Imagino que tenha sido bem divertido participar desta atividade. Acredito que este tipo de experiência será transmitida enquanto houver pessoas que desejam mudar o país, o que é bom.

  2. Foi legal as pessoas se dedicaram muito eles entenderam que a vida tem dessas coisas, muita luta e muta garra para vencer. Eu vi muitos negros filho de migrante na faculdade o nosso pais so vai ao primeiro mundo se todos tiver a mesma oportunidade sem acepção de pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s