A primeira Carta

Em dez anos é a primeira Carta que recebo da secretaria de educação do estado de São Paulo, assinada pelo bola-da-vez Herman Jacobus Cornelis Voorwald, e que vem, especialmente, para descaracterizar a greve legítima e supra-necessária que a categoria, aos poucos, através da APEOESP e outros, arregimenta e organiza com muito sacrifício.

A discussão em meu ATPC hoje –  “mudam-se os tempos, mudam-se os nomes” é a mesma”estamos melhorando”; há 20 anos o famoso conto do vigário é contado  e a sociedade perde, num curto intervalo de tempo, gerações de jovens ávidos e tão necessitados de conhecimento- O debate também girou em torno da Carta aberta do Secretário que, além de alguns murmúrios ” uma palhaçada “, provocou a lenda quase- primitivo- político-brasileira exemplificada neste nosso contexto  de que esta greve é ” um instrumento eleitoral do PT” ” a apeoesp é um campo de petistas” e por aí vai “; isto nada mais é que a velha e famigerada  troca de acusações na política brasileira, o objeto principal da falta de ação, rememorando o preguiça Macunaíma e o malandro Leonardo Pataca.

Percebe-se evidentemente um desvio de foco, não raro, muito bem sucedido; ocultam verdadeiros e explícitos problemas que a educação brasileira, a de SP inclusive, enfrenta por anos a fio: não apenas a quase completa falta de estrutura e organização curricular, como também escolas sucateadas, corpo docente desmotivado, com acúmulos de cargos e prejuízos salariais exorbitantes. Uma luta que alguns definem como ” matar um leão por dia” outros mais desanimados acrescentam ” a tendência é piorar” . Os resultados são contemplados em formas de bônus e não escondem os índices de violência nas escolas e o fracasso nas avaliações institucionais – desempenhos medíocres – a partir dos quais  30 % do alunado do EM são tratados eufemisticamente de “abaixo do básico”.

O certo é que o fracasso desse modelo de educação se deve às péssimas políticas públicas, em SP e em quase todo Brasil, realizadas nos últimos 10 anos pelo menos. E que dessa vez a Greve tem que sair. “Estamos por aqui, já, cheio dessa porra”. “Tá na hora de fazer algo, uma greve, uma assembléia”, me empolgo.

Amanhã boa parte de Jaboticabal para, Guariba, 50% dos professores de uma das escolas, a minha, paramos.

Acho que esta é a hora!

A imprensa precisa ajudar e mostrar que nós, professores, queremos dialogar. Se houver diálogo, não há violência e através da mídia, da verdadeira, vamos ouvir o que os pais acham, ouvir nossos alunos de verdade- não os de programas políticos – e sentir principalmente o professor, apoiá-lo.

Está na hora também de nova política para isenção de impostos, como incentivos para aplicar parte do imposto empresarial à educação, se é realmente isso que falta, ou então deve-se trazer as tecnologias das grandes indústrias para dentro das escolas de alguma forma. É possível.As escolas de SP estão se fragmentado em ETECs, esse não pode ser o único caminho. A nossa rede é muito grande, foca na formação do cidadão e seria suicídio abandoná-la assim como vem sendo feito.

Por isso, não precisamos de motivos políticos para a greve, precisamos mudar urgentemente. A greve é um chamado para o verdadeiro diálogo. Vamos ouvir todas as partes envolvidas nesse garboso e imenso processo, que constrói um país melhor, chamado Educação.

Tenho certeza de que iremos enfrentar as dificuldades juntos e  vencê-las.

É isso realmente o que se está precisando.

Por que não cumprir a jornada nacional? Por que não o reajuste de 36% dos últimos anos?

Pra começo de conversa.

 

Depois cooperamos, voltamos às aulas. Vamos discutir conteúdos, novos métodos, infra- estrutura, o menor número de alunos por sala e o óbvio controle que deve ser feito nos gastos excessivos e desnecessários com materiais conteudistas  e, no lugar, implantar um sério programa de investimento em equipamentos tecnológicos, com ênfase na educação on-line.

Bom, em uma coisa o secretário tinha razão: precisamos conversar.

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4 comentários sobre “A primeira Carta

  1. Gostei da parte: “… 30 % do alunado do EM são tratados eufemisticamente de “abaixo do básico”. Pode-se pensar que o governo permite isto para que ele posso melhor manipular as camadas sociais maiores, mas ele esquece que o tempo passa e novas pessoas precisarão assumir o controle do país, mas que tipo de pessoas ? As “abaixo do básico” ? Se for assim, todo este “desenvolvimento” que eles tanto procura será lançado ao mar.
    O texto está bem fácil de entender e a leitura não fica cansativa e a cada linha que passa, o texto fica mais interessante.

  2. Muito bem Bruno, parabéns pela iniciativa, espero que todos os profissionais da educação mantenham uma postura crítica, como está não pode continuar, como costumo dizer o governo (independente de partidos) adora usar a educação como sua principal bandeira política, mas na verdade não está interessado em uma verdadeira mudança e atualização da educação, se a classe dos professores não mantiver uma união firme, e também a sociedade como um todo não tomar uma posição, a educação pode entrar em colapso (se já não está entrando), com prejuízos para diversas gerações.

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