“Eu estou sempre lançada para frente” Marina Colasanti aos 79

Autora que abriu o Salão de ideias da 17° Feira do livro de Ribeirão Preto cativa com um discurso fascinante

Quem conhece Marina Colasanti por alguns de seus mais famosos textos – o fabuloso conto A moça tecelã, a crônica Eu sei, mas não devia – não esquece jamais o impacto de um salão de ideias marcado por inteligência, descobertas, histórias de vida e morte, ” A morte é mais inevitável que a vida” dispara a escritora.

Num dos grandes momentos da conversa,  a autora brinca, não maltrata e enaltece a morte. Sua avó lhe dizia “Eu olho ao redor e vejo um grande cemitério”. Exemplifica na pintura A morte de Sardanápale o movimento que ocorre ao redor do rei antes da indesejada das gentes acontecer em contraste com o morrer do mundo contemporâneo: rodeado de aparelhos, num hospital em um quarto frio.

A autora que vai completar 80 anos em setembro vai lançar seu livro de número 60. Também trabalha em um outro de poesia. Ela nasceu na Eritreia e viveu na África até os 4 anos de idade. O pai foi à guerra. Marina diz que pensa “em italiano tanto quanto em português” depois emenda “tenho uma alma africana”. Estávamos mais uma vez frente a uma escritora que se sente uma estrangeira, certo momento ela lembra “como Clarice, eu costuro para dentro” e “Sempre sou o outro “.

Quando abordou o ofício, disse ser uma observadora que presta atenção a tudo, faz um exercício instintivo comparativo, sempre a se perguntar quem é o outro. A escrita, para ela, começa no olhar. Diz se sentir uma indiscreta, o que não a impede de manter um olhar pausado sobre os outros e o mundo.

“A literatura e as histórias são veículos…um longo e interminável discurso sobre o mundo, os sentimentos” – em mais um momento mágico, ela completa que ler é aprender a absorver o mundo e aprender a estar no mundo.

Sobre as redes sociais diz que são impérios do mexerico. Embora haja a veiculação de notícia e informação, é um terreno pantanoso, puxado por elementos numéricos e, por isso, muitas vezes, se vai através do gosto coletivo, pela quantidade de likes.

As dificuldades por que passa a alta literatura se deve ao desaparecimento da crítica literária da imprensa, um vez que livros não são anunciados, pra quê a resenha? Outro fator é a postura tacanha do mundo editorial, por fim, segundo ela, a maior parte da literatura está na universidade, que são universos fechados e não chega ao grande público.

As escolas também precisam assumir um papel que sempre lhes coube. Aprender é um caminho exigente. Para a autora, que defende um certo papel secular da escola, ela afirma “Aprender de cor…não é horroroso”. É um treino de memória muito importante. Na verdade, Marina tenta dar exemplos de equívocos de alguns pensamentos. O professor serve de ponte ao transformar a obrigatoriedade em prazer, em conhecimento, “num gesto de amor”. Para formar leitores ela acha que o professor deve pensar “vou fazer com que a leitura se torne para ele (o aluno) uma necessidade”

Ela mesma desde criança sempre teve contato com a leitura, em sua família sempre houve uma cultura leitora. Quando jovem conheceu uma amiga e com ela foi a  livraria onde trocaram autores. Ela lembra até hoje ler Cesare Pavese e poetas da China por causa desse encontro. Por isso recomenda aos jovens autores e amantes da literatura “procurem seus semelhantes”.

Quando perguntada sobre o livro de crônicas e o texto Eu sei, mas não devia, estabelecendo relações com a vida nos grandes centros urbanos, ela mais uma vez é esclarecedora ” estamos perdendo o sentido da identidade na multidão”, por isso, “Não acostumar-se com certas coisas é garantir a identidade”.

No fim ela define como prioridade alimentar o espírito narrador nas crianças. Estimular sempre a leitura “Dois leitores não leem o mesmo texto da mesma maneira”. E ressalta que está sempre lançada para frente, fazendo as coisas que mais gosta, como viajar que é sem dúvida uma forma de estar em permanente contato com o novo.

Para quem não perde o contato com a autora, há um blogue excelente no qual toda quinta-feira ela escreve uma crônica: http://www.marinacolasanti.com/

 

A autora num domingo de manhã no auditório Meira Jr. Pontapé inicial da feira não poderia ser melhor.

Trajetórias – Assista no YouTube 

Para quem quiser assistir ao filme Trajetórias – 30 anos da greve de Guariba, que teve sua primeira exibição bastante discreta e essencial na Unesp em meados do ano passado, vide postagem logo abaixo, ele está disponível agora no YouTube.

Agradeço mais uma vez a participação de todos sem a qual o trabalho não seria finalizado.

A jornada do filme inicia outra etapa. Espero que assistam.

Obrigado.

Clique no link abaixo para assistir.

O tribunal da quinta-feira

O livro de Michel Laub trata de uma marca indelével do nosso tempo: os tribunais virtuais. A todo momento uma patrulha, muitas vezes histérica, lança ao limbo digital a vida de milhares de pessoas. Se para fins mais nobres, por exemplo, uma crítica a um ato falho de uma figura do alto-escalão político e aí há tantas a serem citadas ela funciona, porém, na maior parte das vezes o tribunal fica mais sério e pega pesado intencionalmente linchando as pessoas, então o espaço é aberto aos extremistas defensores das mais variadas causas, desde feminismos histéricos a homofobia e misoginia de toda espécie.

O  discurso- defesa sob o qual o narrador age tem, em meios mais cônscios, pelo menos duas ranhuras: a primeira é a exposição involuntária pela qual passamos, a segunda, o julgamento arbitrário que se faz de histórias das quais não se sabe muita coisa. Apareceu na timeline está apto a ser julgado, virou trend top no twitter, merece um comentário estúpido com a hashtag da vez. Parece tudo muito banal e está realmente envolto nessa nuvem de banalidades, no entanto, a vida social e profissional das vítimas é afetada em mais diversos níveis.

É uma narrativa visceral, testemunha de nosso tempo, o narrador José Vitor, rapaz culto e de boa educação, é uma vítima e sua narrativa não cai no vitimismo, ao contrário, expõe as fraturas de nossa sociedade, como a intolerância, o pré-julgamento, o virtuosismo; de sua esposa expõe a antiética, a vingança mesquinha e inquisitória, o contrário do que se espera, talvez, de um relacionamento de algum tempo.

Como um expoente da nova geração da literatura brasileira, Michel Laub já percorreu um bom caminho, parece chegar a um ponto seminal entre tantos grandes autores contemporâneos: a capacidade de circunscrever suas obras entre temas centrais e comportamentos miméticos de nossa época. Para quem consegue enxergar um pouco desse volume de informação revestido da arte do romance um prêmio no final: a capacidade de ver além das aparências ou da superficialidade devastadora dos tribunais diários travados nas redes sociais.

Merece especial menção o tocante ao tema AIDS do livro. Como alguém que viveu a juventude nos anos 90, o narrador é marcado fatalmente pelo debate   “A I D Esse”, são referências e um ponto de inflexão surpreendente, como parece ser característica dos narradores de Michel, acontece também em  A maçã envenenada, um ou os dois pés no passado, não são temas leves, também a narrativa, no geral, não deve ser lida como mero acerto de contas – ao contrário – os personagens seguem suas vidas, apenas trazem consigo um passado rico e imperdoável.

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O mistério do planeta

Como virar a página, tentar recomeçar e ser outro. Descobrir coisas novas todos os dias, mesmo quando está imerso nas mesmas coisas cotidianamente.Avaliar-se é sempre difícil, parece uma atitude autodestrutiva. Sentir o dever de que se tem que fazer algo é um fardo muito difícil de carregar, egocêntrico e que não leva a lugar algum.

 

Melhor talvez seria escrever ficção, falar por meio de outros personagens, ser outro para compreender-se, falar com a voz dos outros, ouvir a respeito das coisas a partir de outrem.

A verdade é que acredito que para escrever bem precisamos nos livrar de alguns fantasmas, o principal, o de olhar para si mesmo e não temer o que vai dizer, trocar experiências íntimas também penso serem válidas, principalmente quando se dá a devida atenção a elas e se tem uma boa memória.

Gostaria de poder escrever um romance. Talvez por ser um gênero literário que me encanta por ser a fina flor de séculos, ocupar um espaço nobre entre a arte, mergulhar o leitor numa experiência atemporal e etérea. Não há margem para dúvidas de que o romance tenha algo a dizer sobre o nada e o absurdo da nossa condição. Sei que também a poesia, a crônica, os pontos de encontros entre os gêneros que tantos alguns autores são tão bem sucedidos em fazer também o são.

Por isso é preciso estar disposto a fazê-lo. Não temer ou desprender-se do futuro, ele é inevitável, o-que-tiver-que-ser-será.

Cultivar o bom humor, sempre me pareceu que aqueles que não levam a vida totalmente a sério, tem as sementes cobertas por um solo generoso e bem adubado.
 

 

As narrativas da memória – sobre “Minha Luta”

“O tempo está como sempre esteve. É através do tempo que a existência se revela para nós. Da mesma forma, nos revelamos através de nosso estado de espírito, através daquilo que sentimos a cada momento. Não é possível conceber um mundo sem tempo, nem uma identidade sem sentimentos.”

O quarto livro da série Minha Luta de Karl Ove Knausgard segue nos arrastando até os locais mais distantes da memória do narrador: através de uma narrativa de coisas aparentemente banais e cotidianas, como uma visita a casa dos avós, os primeiros porres, o diálogo com a mãe, e outra mais marcante e profunda, como a paixão por Hanne, a vontade de ser escritor, o alcoolismo do pai e o divórcio na família.

É narrativa, acima de tudo, e talvez este seja um dos trunfos deste livro. O retrato é vívido, extremamente bem articulado e medido para “fisgar o leitor” – a todo momento nos deparamos com nossas próprias memórias e com o que fazemos com elas. Trata-se de um exercício penoso e muito interessante, extremamente rico, expormos nós mesmos às vulnerabilidades de nosso ser, e sujeitos a tentar enxergar com toda a luminosidade com a qual Karl Ove realiza neste livro. Lógico que esta parte é muito mais difícil e frustrante – mas, em outras palavras – o que vale é o que cada um consegue tirar de si próprio – um dos pontos mais importantes da arte é tentar aproximar o indivíduo de si mesmo, numa autoaprendizagem contínua, além disso há o catártico, o mergulho no âmago – lugar a que poucas obras nos fazem chegar.

E este é o local ao qual este norueguês nos leva, o fato é que nunca li nenhum livro autobiográfico tão pungente e prolixo como esse, são seis volumes, coincidência ou não, tem-se comparado seu calhamaço a Proust, também autor de seis volumes focados na memória no clássico ” Em busca do tempo perdido”. Antes de Karl Ove li a tetralogia napolitana de Ferrante e me senti tão sugado para dentro da história como este livro – e Ferrante é o antípoda de Karl Ove – pelo menos no que se refere a assumir a identidade pública de escritora. Do contrário, eles são autores contemporâneos que alcançam a façanha de fazer literatura como poucos fazem e numa eloquência e quantidade incríveis.

Outra viagem que Uma temporada no escuro ou como o título em inglês sugere com uma melhor metáfora – Dancing in the dark – é a musical. Karl Ove é apaixonado por música e deixa isso em cada página bem claro, sua chegada a Häfjord começa com The queen is dead, o tempo todo parece ouvir Remain in light dos Talking Heads e Echo and the bunnyman e não raro acrescenta comentários oscilantes sobre o Simple Minds e outras bandas que são cativantes. Em certo momento ele reflete ” porque na música não existe um significado, não existe um sentido, não existem pessoas, mas apenas atmosferas, cada uma delas com uma caracterítica própria, como se elas fossem caracterizadas simplesmente por ser aquilo que são, cultivadas sem corpo nem personalidade, ou melhor, como uma espécie de personalidade desprovida de pessoa, e em cada disco existe um número interminável dessas impressões de um outro mundo, que ressurgem cada vez que o disco é tocado. Eu nunca descobri o que me preenchia quando eu ouvia música, apenas que eu queria sempre mais daquilo.”

Tudo é muito rico e vibrante neste livro. Karl Ove nos dá a sensação de que escrever é fácil, coloca-nos a par do segredo da vida – aquele de que não há segredo nenhum. Ele desmistifica sem esvaziar de significado. Emociona sem ser piegas. Nos coloca face a face com o que há de mais enigmático em nós mesmos.

O conto de Hemingway ao qual ele se inspira para escrever seu primeiro conto é belíssimo. Aparece logo no início do volume 1 de contos do autor de Adeus às armas, chama Acampamento Índio e narra sob a perspectiva de um garoto “Nick”, alter-ego do autor, o parto que o pai vai fazer em uma índia. Vale muito a pena ler, Hemingway e sua escrita límpida e vívida é uma inspiração para esta obra do norueguês.

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Karl Ove à direita com o irmão Yngve em Bergen, 1990

Mais Florestan Fernandes menos Olavo de Carvalho

De que servem os dogmas? E o discurso doutrinário ou demagogo? Já disse em aulas a meus alunos e, cada vez mais, em tempos em que virou moeda corrente falsos líderes subirem ao salto e decretar o que ou como fazer, que a melhor pessoa para decidir sobre o que é melhor pra você, só pode ser você mesmo. E este é, antes de tudo, o príncipio da liberdade de que mais gosto, aquele do autoquestionamento, das respostas não fáceis, aliás, de mais perguntas de que respostas.

O documentário Trajetórias vem seguindo seu curso de despertar mais do que doutrinar, de questionar mais do que responder. Ele foi exibido pela primeira vez na Unesp – Araraquara, no mês de abril, sala 37 do departamento de Letras e Filosofia, com a presença de alunos de graduação, a professora de Farmácia Raquel Regina, Enedina e Seu João do assentamento Bela Vista, e a professora Silvia Beatriz Adoue, organizadora do evento JURA – Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. Ela também dá aulas na Escola Nacional Florestan Fernandes – uma honra conhecer um pouco deste projeto criado para atender jovens, adultos e crianças provenientes de Movimentos Socias com a função de discutir temas tão “mascarados” no país e formar cidadãos na acepção mais clara da palavra. Dentre tantas discrimações que existem no Brasil, aquela de considerar o MST um movimento de aproveitadores, invasores e, em última instância, por que não, bandidos – faz com que conhecer esta escola, nos deixe cada vez mais longe desta falácia e deste grande ímpeto destrutivo, que mistura intolerância com insensatez, reinante, infelizmente, nestes tempos obscuros no país.

Precisamos mais do que nunca deste tipo de evento, para nosso filme, por exemplo, ele caiu como uma luva, no entanto parece que o cinema de autor percorre uma linha diferente do cinema dito comercial. Essa separação que se acentuou nos últimos anos devido a vários fatores só é prejudicial, como se houvesse uma divisão entre entretenimento e arte, distração e reflexão, fato que tornaria as pessoas cada vez mais superficiais, vazias e em busca de uma satisfação rala que nada mais é do que uma forma de alienação e “imbecilização” humana. Ou então há pouco espaço ao cinema independente, se vale assim chamar, e muito ao comercial, produzido em escala industrial que não propõe muita coisa, além de repetição de fórmulas e pouco ou nada de conteúdo sob o pretexto de criar mais maniqueísmos e lutas, tiros e efeitos especiais animados intermináveis como o balde de pipoca e o refrigerante do super combo.

Eventos como o Jura são raros também no Brasil. Financiamento para fazer cinema e a exibição dele também não surgem aos montes. Acontece que o cineasta brasileiro precisa antes de tudo ser um forte, embora a plataforma Youtube e outras estejam aí para ditar o contrário, quando se fala em cinema e em forma de exibição, estamos falando de algo exibido para o coletivo e para o debate coletivo. A própria cerimônia de ir a uma sessão de cinema sempre propôs algo novo, como a cinefilia da nouvelle vague francesa e os cine clubes espalhados pelo mundo todo; daí sai o grande cinema mundial, pois ele, sobretudo, propõe a discussão, o debate, a formação, o encontro com o outro, com o conhecimento e com a realidade ao nosso redor. (Re)inventar o óbvio deve ser a regra; fugir do lugar-comum, do individualismo e partilhar devem pautar nossas experiências e nosso dia a dia.

Daí é preciso acabar com essa separação e iniciar um debate mais sério sobre o cinema, a cultura, a reforma agrária, a discriminação e tantos outros temas recorrentes na sociedade. Como a própria Enedina e outros alunos de pedagogia disseram, uma escola melhor, com proposta político pedagógica, livre da centralidade de governos e mais pautada na independência de sua gestão pode acender pequenas centelhas para espalhar essa ideia.

Por fim, foi um prazer enorme participar deste evento e saber que o documentário cabe bem também nesta realidade, pois o anacronismo – ainda que vivamos em um tempo em que se é mais citado Olavo de Carvalho que Florestan Fernandes – é o pavor de qualquer pessoa que pretenda lançar um debate e fugir do dogmatismo.

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Professora Silvia (no centro) – o melhor de se fazer filmes ou assistir a eles são os encontros que a partir deles acontecem

( foto Sérgio Galvão )

Trajetórias – 30 anos depois da greve de Guariba

Enfim se chega ao fim de um documentário, pelo menos no que se refere à produção. O caminho que se segue agora depende menos de seus realizadores e mais da vontade de seu público.

O filme está pronto para alçar voos mais altos. Foi um trabalho muito prazeroso mas também muito difícil. A trajetória deste blog diz um pouco do que passamos nestes quase 4 anos de gestação.

Estamos felizes porque o projeto caminha a partir de agora com pernas próprias e também porque é o primeiro documentário em longa metragem sobre o tema do boia-fria, da greve de Guariba e de suas consequências 30 anos depois. Mais um pedaço da história do Brasil está registrado com o acréscimo de uma visão 30 anos depois do episódio desta greve que mudou boa parte das leis relativas aos trabalhadores rurais e colocou no mapa mundial a política industrial da cana de açúcar.

O trailer a seguir é uma fagulha da história do filme. A partir de agora o filme é de todos nós.

Agradecemos a todos que participaram, que abriram suas portas e nos deram o privilégio de poder conhecer um pouco mais da vida de cada um, da história de nossa cidade, região e país e de nossa própria história como indivíduos, pois todo trabalho de investigação, posto sob a ótica cultural, é como uma revelação sobre nós mesmos.

 

Agradeço muitíssimo a Sérgio Galvão pelo trabalho visual; Vambeto, José Nilson e José de Fátima por participarem da pré – produção e produção; e a Carlos Henrique Berg pelo auxílio na edição e, sobretudo, na finalização do filme.